Terça-feira, Novembro 17, 2009

"Só" uma teoria

Não é de agora que existem discussões infindas entre criacionistas e os assim chamados evolucionistas. Se nos atentarmos para o tema "Origem do Universo" partiremos para uma discussão cheia de erros e apontamentos extravagantes tanto à ciência quanto à teologia.

Temos por um lado a teoria do Big Bang e por outro o criacionismo cristão se degladiando na disputa de quem ficará com o prêmio de ensinar pequenas crianças que nada sabem sobre a vida, supostamente.

O problema nessa luta de "idéias" está em primeiro lugar no apelo ao ensino de várias alternativas à ciência para a explicação do início do universo e de tudo o mais. O cristão mais exaltado afirma que a escola, enquanto provocadora de reflexão, deve mostrar sempre duas opções para que assim o pupilo escolha a que lhe será mais plausível. A objeção a esse argumento parece tão óbvia que por vezes causa estranhamento a defesa dessa idéia. Se uma escola deve prezar por apresentar várias opções de escolha sobre determinados assuntos, teremos de admitir que ela deverá ensinar - sobre o tema de origem do universo - não somente a visão cristã, já que existem inúmeras visões criacionistas como a hinduísta, tupi, da mitologia grega, hindu, assim como o design inteligente, o pastafarianismo e ainda, deve-se fazer menção às divisões presentes dentro do próprio cristianismo, como o da terra antiga e da nova.

Se estamos a pensar em um suposto estado laico que preza pela diversidade e aceitação de diversos tipos de crenças em um mesmo ambiente temos de pautar uma educação que não se "envolva" com religião. E, pasmem cristãos, a ciência é diferente da teologia.

Em um segundo ponto problemático temos a argumentação criativa de que a teoria do Big-Bang é "só" uma teoria. Geralmente os que pautam frases desse calibre pensam que o dicionário é a autoridade máxima na definição de qualquer palavra em qualquer contexto. Não pode-se negar que pelo dicionário a definição de teoria aparenta ter o mesmo nível de credibilidade que Deus para um ateu. É de grande valia "lembrar" que para a definição de um teorema científico, e que dê-se ênfase no termo científico aqui exposto, existe um conjunto de regras comprováveis logica e racionalmente. Uma teoria científica é construída a partir de um fato, ao contrário da teologia, por isso não é possível se falar sequer em Teoria científica criacionista.

Para explicitar melhor o que vem a ser o absurdo da advérbio "só" frente à qualquer teoria científica, cito algumas que, não duvido, algum cristão encontrará uma refutação bíblica: Teoria da Relatividade (sim, aquelas duas), Teoria Quântica (aquela bem conhecida por espectadores de filmes como Quem Somos Nós), Teoria dos Conjuntos, Teoria da Gravitação de Newton - gostaria de dar um destaque a essa última e sugerir como alternativa ao ensino dessa "mera" teoria o estudo da gravidade como sendo o peso dos nossos pecados nos puxando, por isso a ascensão de Cristo.

O criacionismo é uma teoria conceitual que diferencia-se da teoria científica no sentido estrito das definições. Os grandes embates travados entre a religião e os cientistas são inócuos já que a religião trata de uma área totalmente diversa à ciência. O que percebe-se claramente ao longo dos anos, principalmente dos últimos quatro ou cinco séculos, é o fato de pessoas quererem levar religião ou ciência como meras filosofias de vida  totalmente antagônicas sendo que, na realidade, ciência e religião tratam de assuntos totalmente diversos.




P.S.: Espero continuar com alguns assuntos pontuais que cristãos consideram ser relativos à ciência e vice-versa (Ex.: Os sete dias de Gênesis, o fato de a Terra ser redonda, etc). Se quiserem sugerir algo nesse sentido agradeço antecipadamente.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Série: Jargões Evangélicos ----> Parte IX: "Em nome de Jesus"

Se há um nome bastante repetido fora de contexto em uma igreja, "em nome de Jesus" te direi qual é: Jesus.

Usa-se a referida expressão para expressar o fato de que o locutor fala na autoridade a qual o nome clamado chama. Exemplos bíblicos temos aos montes, por exemplo, quando é dito tradicionalmente que os cristãos devem ser batizados em nome de Jesus, estamos clamando a autoridade de Cristo como salvador, para libertação dos pecados através do ato simbólico do batismo, qualquer crismado, frequentador de igreja, ou leitor de Bíblia pode entender isso.

No livro de Atos temos vários milagres realizados utilizando-se o nome de Jesus, é uma expressão carregada de significado. Por exemplo, quando Pedro fala que, em nome de Cristo, o coxo deveria levantar e andar, estamos falando não de uma autoridade dada a Pedro, mas de um total reconhecimento por parte de Pedro da autoridade de Cristo e que somente por intermédio dEle haveria a possibilidade de que um milagre fosse realizado.

Falar por alguém, é expressar a autoridade que o nome carrega e o respeito que se tem por essa pessoa. No entanto, "em nome de Jesus" transformou-se em um jargão para dar mais ênfase a qualquer frase dita dentro de quatro paredes durante algumas horas de histeria.

"Em nome de Jesus, levante-se desse banco e aja como um pentecostal"
"Em nome de Jesus, hoje o seu milagre vai chegar"
"Irmão, dê um brado de vitória, em nome de Jesus"
"Dê a mão para a pessoa ao seu lado, em nome de Jesus"

Nem há necessidade de discorrer sobre a banalização e o erro de se usar a mencionada expressão. Alguns heterodoxos podem fazer valer sua opinião de maneira bem singela: "Vá se danar!" claro que "em nome de Jesus".

Sábado, Novembro 07, 2009

Do prazer de descrever

O prazer de descrever esvaiu-se. É chato ser realista em demasia, um pouco de surrealidade acrescentada de doses fortes de romantismo era o necessário para fazer uma bela descrição fosse ela mental, escrita ou falada.

No entanto, quando deparamo-nos com a beleza do amor, seja ele personificado, por exemplo, no ideal de uma mulher, essas divisões na forma de descrever esvaem-se momentaneamente. Impossível descrever este sentimento tão angelical - e, por vezes, paradoxalmente demoníaco - de forma realística concreta, assim como totalmente psicodélico e surreal, tampouco com romantismo pingando mel. É necessário que os aforismos sejam reais, que o imaginário seja concreto e que o romantismo tenha uma pitada de fel.

Se, apesar das muitas palavras e diversas maneiras de se dizer, nunca será capaz de descrevê-lo em totalidade, o que fazer? Usar uma parábola aqui, um aforismo acolá, no entanto sempre ficaremos limitados ao emolduramento fixo e firme das palavras.

Uma limitação, aliás um sacrilégio necessário esse molde imposto por nosso conhecimento. No entanto, antes expressar tal sentimento de grandiosidade no coração do que deixá-lo ao gosto do egoísmo transparente.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Deus é um bundão

Inspirado no texto do Lou Passos para Ensinar Deus a ser Deus



Tudo bem que criticar a igreja é uma tarefa batida, mas que esse deus que a igreja diz seguir é um bundão não podemos negar.

Fica pedindo uma força pra tudo que supostamente já vai fazer. É um tal de ter de orar para o irmão seja curado, e depois dá a desculpa de que essa não era sua vontade no fim das contas. Diz ter de fazer campanha para que recebamos carros, casas e no fim... nada; supostamente não era da sua vontade.

Dizem alguns que basta pedir com muita vontade, algo como um enredo de livro de auto-ajuda, que o univer... deus fará com que as coisas aconteçam afinal, um pai que tem um filho mimado dará tudo que o infante pedir.

Alguns chegam até a desconfiar, mas ameaça de morte eterna é algo sério a se considerar. Já pensou? Não seguir o que a igreja está dizendo sobre esse deus e correr o risco de uma morte eterna? Melhor seguir esse deus nessa atual conjectura do que aquele que condenava a televisão há uns tempos atrás.

No fim deus é aquele cara que para curar o tédio faz apostas com o diabo. 

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Religulous e o nerd feio da humanidade

P.S.: o nerd feio nada mais é que a religião, expressão retirada desse texto: Um denso véu.



Recentemente assisti ao documentário Religulous apresentado por Bill Maher onde basicamente é apresentada a visão ateística pueril de que os ateus e agnósticos deveriam sair do armário pois o mundo está sendo controlado por irracionalistas... exatamente nesses termos.

A religião não vem sendo atacada somente por parte de ateus, uma parcela dos cristãos também acha que o cristianismo não é religião e argumentam ser Cristo um estilo de vida, no melhor estilo surf por amor ou skate é vida. Atenho-me aqui ao ponto de vista ateu, em uma possível continuação falo sobre a famigerada frase "Cristo não é religião".

- O ponto de vista ateu ou agnóstico simplório

É a visão apresentada no documentário a qual me refiro. Àquela de que o mundo seria um lugar melhor se não fosse controlado por seres irracionais que acreditam em mitos improváveis de acontecer cientificamente. Para justificar esse argumento a citação das cruzadas, de homens-bomba, de atentados aos EUA é obrigatória. Para fazer uma melhor justificativa basta procurar sanar "dúvidas" sobre religião com quem obviamente não conseguirá respondê-las ou com quem simplesmente não quer assim fazer, é basicamente essa a melhor forma de provar que esse argumento é o correto.

Qualquer olhadela de "rabo de olho" na História pode mostrar que não é a religião a real causadora de barbáries por parte da tão racional raça humana, exemplos são inúmeros: o período comunista soviético, em alguns momentos completamente ateu, do qual não pode-se dizer que foi o melhor período histórico que a humanidade já presenciou; os conflitos civis na África; os três milhões e meio de coreanos mortos na Guerra da Coréia e ainda tem umas chamadas Guerras Mundiais, em número de duas que se encontrarem como principal motivo a religião para elas teremos todos de rever o que é aprender História.

"Tudo bem", podem afirmar alguns defensores da primeira idéia, "no entanto se eliminarmos o fator religioso os conflitos não acabarão mas ao menos vão diminuir". É aqui que justifico o adjetivo pueril dado a esse argumento, é de uma imensa ingenuidade crer que ao se eliminar um elemento a ambição humana por poder e dominação deixará de existir. O pressuposto do qual se parte para dizer que a religião é um problema é o de que as pessoas que têm poder para realizar uma guerra ou causar conflitos, utilizando-se obviamente de uma ditadura religiosa, têm realmente ideais religiosos, fato este que não precisa ser comentado, ou seria possível um único bom leitor de jornal, mais conhecido como cientista político, afirmar que Bush Jr decidiu invadir o Iraque por motivos religiosos?

Reforçar um ataque ao nerd feio da humanidade  é agir tão irracionalmente como defendê-lo sem conhecer. Se ser racional é argumentar de forma falaciosa utilizando-se de argumentos como: "Homens são estúpidos; você é homem, logo você é estúpido." teremos de rever urgentemente o que é razão.

Sábado, Outubro 17, 2009

Panegírico

Destilava pensamentos: ardis e prazeirosos
Falava, não em demasia nem em escassez
Agradava com palavras e versos honrosos
Tudo que criticava refez e desfez

Amante da sabedoria: aquela desconhecida
Perfazia-se, não em sobriedade nem em oscilação
Diziam ser o delator da imagem distorcida
Intitulou-se arrebatador do puro e frugal coração

Proferia: "Fracasso alheio é sucesso pessoal"
Reconhecia uma derrota sem temor
Para o discordante o juízo de valor: "esse é mal"

Alegava: "Tudo faço só e unicamente por amor"
A verdade é que a si mesmo era leal
Hipócrita era como o definiram; "tumor"

Domingo, Outubro 11, 2009

Liderança

Não é difícil nos atentarmos aos apelos atuais de cursos, seminários ou qualquer outra reunião em que você será guiado por um maravilhoso mundo de diferenciação entre liderar e chefiar, liderar e mandar, ou qualquer outra coisa relacionada à liderança.

Supor que ser líder é um privilégio e te trará sucesso é a mensagem implícita. Na realidade isso é tão comum que os supostos líderes cristãos também pensam assim.

Pensar no cristianismo e em líderes é de tanta incoerência que seria melhor desconsiderarmos a famosa empatia cristã: "considerar os outros como superiores a si mesmo" ou a igualdade: "o mestre não é maior que o díscipulo.", motes que são base do que podemos definir como uma doutrina una do cristianismo.

O vídeo abaixo sintetiza bastante o que penso sobre a suposta liderança cristã, faço a ressalva de não concordar com alguns pequenos pontos, já, talvez, explicitados em outro texto.