Quarta-feira, Julho 08, 2009

Síndrome de Underground

Se há um mal que afeta continuamente o não mais underground mundo virtual é a ideia de que tudo que se populariza fica ruim. Aliás, não é só no meio virtual que isso costuma acontecer basta, por exemplo, encontrar um fã do mais obscuro tipo de música que ao ver seu estilo musical na boca de "meros mortais" esperneia, maldizendo o responsável por ter popularizado aquilo que era domínio dele e de mais aproximadamente dez pessoas.

Quando o Twitter se popularizou não foi difícil encontrar sandices como essa. Ridicularizou-se que a partir daquele momento a ferramenta citada viraria um novo Orkut. Penso que tais manifestações são representações de obscuros pensamentos discriminatórios.

Muito do que se escreve sobre internet está relacionado ao fato de que consegue-se transcender barreiras e extirpar preconceitos, fazendo com que a comunicação seja multifacetada. No entanto, percebe-se claramente uma indelével característica social humana: a dificuldade de aceitar o que é diferente ou, quem sabe, o novo.

É, no fim, só mais uma idiossincrasia tão presente no nosso comportamento quanto no de homens de cinco mil anos atrás. Somos os mesmos, nada temos a oferecer de novo, com exceção dos meios pelos quais nos mostramos idiotas e inteligentes, imbecis e gentis, contraditórios e coesos. Um dia a humanidade evoluirá, no sentido de não ter mais tanta estupidez? Creio que dificilmente... isso é parte do que somos.

Domingo, Julho 05, 2009

Subviver

Falam sobre viver
Como se sobreviver fosse subviver
Como se a vida fosse tão paradoxal quanto a semântica

Estar acima
Seria esse o sentido? Mesmo que inconsciente?
O método para passar pela vida ileso pelas derrotas?

Estaríamos fadados a descermos e subirmos?
Existir tomou a forma de uma gangorra
Entre derrotas e fracassos e vitórias e conquistas.

Alguns veem problema no fato de a gangorra tender a um lado.
Se há arrogância quando o sucesso sobe à cabeça...
Que dizer das pessoas a quem o fracasso conquista?

Quarta-feira, Julho 01, 2009

A relevância e o escarcéu

Já há alguns anos ações surgem e pipocam na tentativa de repaginar e/ou propagar o cristianismo. Nesse afã, brotam movimentos de todos os tipos, e dentre os últimos há ainda aqueles que dão maior relevância a um tema, como por exemplo a homossexualidade, quais sejam: Sexxx Church e Júlio Severo.

Ao observarmos os dois ideiais, em princípio veremos uma discrepância. Não se engane, pregam a mesma coisa, abordam de maneiras distintas mas ambas com um cunho celeumático. É aquela ladainha que todo mundo (em literalidade) conhece: homossexualismo é, não somente uma doença (como o próprio sufixo indica) mas, também pecado. (Update: reclamaram com o fato da Sexxxchurch não considerar o homossexualismo uma doença, tudo bem, que fique registrado, apesar de achar que não muda muita coisa.)

Essa relevância dada a um tema específico assemelha-se àquela pessoa cristã que se aproxima de um colega e revela:

- Não posso mais viver nessa sociedade. É uma vergonha o que acontece. A moral já está indo para o esgoto.

E obtém por resposta uma confidência, que provavelmente todo cidadão proclama uma hora ou outra:

- Tenho de concordar, políticos corruptos, descaso com a saúde pública, violência e muitos outros problemas nesse mundo fazem com que a gente fique desesperado. Um colega meu teve um parente internado no hospital e depois morto por falta de atendimento médico. Enquanto isso ouvimos cada dia mais notícias de desvio de dinheiro público. Deplorável

- Err... na realidade estava falando dos gays e dessa promiscuidade.

Percebe-se com uma clareza óbvia que o principal tema que a igreja gosta de tratar e criar tabus é ao mesmo tempo a que menos tem relevância para uma mudança de práticas realmente corruptas da sociedade.

Veja como os lados da moeda são exatamente iguais: por um lado os seguidores da Vineyard desfilam falta de coerência em comentários; logo após, "seguidores" de Júlio Severo fazem o mesmo em uma entrevista na Cristianismo Hoje que tem um início no mínimo questionável.

O afã que consta no início do texto no fim das contas não se refere a um desejo em divulgar o Evangelho. Trata-se somente de discussão vazia que cause impacto. Não é relevante, não é interessante para a sociedade, é somente um escarcéu, sem motivação cristã alguma. É aquele tipo de alarme que funciona como um metal que soa e sino que tine, sem amor.

Sábado, Junho 06, 2009

Dizia...

Dizia que era tão linda que dificilmente um poema poderia homenageá-la. Mesmo assim gastava-se horas escrevendo, pensava que ser prolixo poderia descrevê-la em plenitude. Era musa inspiradora sem dúvida, o estranho era que causava como resultado tanto poemas quanto equações.

Dizia que sua personalidade era tão complexa que poemas e sua obscuridade trariam uma bela descrição. Ao mesmo tempo pensava que tinha uma beleza divina que somente equações explicando as mais belas simetrias poderiam explicar a transcedente e frágil beleza.

Dizia que mesmo com os defeitos presentes era inspiradora. Na realidade era justamente pelo fato de se apresentar transparentemente com defeitos que a admiração sobrepujava todos os momentos de suspiro anteriores.

Tão bela, imperfeita obviamente mas, de forma tão contraditória apresentava-se com a perfeição da imagem que temos de um anjo. Dizia tão-somente...

Segunda-feira, Junho 01, 2009

O deus que me apresentaram

O deus que me apresentaram curava doenças de pessoas que nem sabiam que estavam doentes.

O deus que me apresentaram tirava "laços de morte" porque a pessoa tinha se convertido mas, matava crianças por conta da fome, outras em enchentes e algumas outras em catástrofes.

O deus que me apresentaram falava através de profecia que uma pessoa na igreja tinha bebido, mas não costumava falar que a própria pessoa que estava profetizando roubava o dízimo que pessoas tinham entregado à igreja.

O deus que me apresentaram cobrava o dízimo e me ameaçava. E ao mesmo tempo dizia ser o dono da prata e do ouro.

O deus que me apresentaram era imutável mas, se fizéssemos uma campanha ele facilmente mudava de ideia.

O deus que me apresentaram não gostava de rebelião, desde que a pessoa não fosse, no mínimo, pastor.

O deus que me apresentaram cobrava jejuns e orações prolongadas para que seu poder se manifestasse em nós. Ao mesmo tempo que podia usar qualquer um a qualquer momento.

O deus que me apresentaram queria que entregássemos as ofertas mesmo que o único dinheiro no bolso fosse o de pagar o aluguel.

O deus que me apresentaram faz promessas individuais, mas cumpre só se houver penitência.

O deus que me apresentaram se manifestava através de pastores que faziam atos proféticos, como orar na praia com uma fogueira no meio em que nomes em papeizinhos seriam queimados. Ao mesmo tempo ficava extremamente irado se alguém fosse da macumba.

O deus que me apresentaram era meio injusto e incoerente. No entanto afirmar isso era declarar a morte, afinal ele também era vingança e ira.

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Por vezes ser cético é agir de forma mais cristã do que ser um religioso cínico.

Sábado, Maio 30, 2009

Super-homem



“O que é bom? Tudo que eleve no homem o sentimento de potência, a vontade de potência, a própria potência. O que é ruim? Tudo que advém da fraqueza. O que é felicidade? O sentimento de que a potência cresce, de que uma barreira é superada. Os débeis e os disformes devem sucumbir: primeira regra do nosso amor ao homem. E para isso ainda devemos ajudá-los. O que é mais prejudicial do que qualquer vício? A compaixão ativa com todos os deficientes e fracos: o cristianismo”.

Nietzsche


O Super-homem apresentado por Nietzsche é aquele que supera valores considerados cristãos como a compaixão, humildade e culpa. Ou seja, para o filósofo, só haveria evolução intelectual humana se a compaixão que cria a moral fosse questionada. Se na evolução os mais fracos ficam para trás, os humildes, fracos intelectualmente, culpados e acusadores também deveriam ficar.

Longe de fazer apologia a algum tipo de facismo ou nazismo, a ideia não era fazer com que eliminássemos fisicamente os pobres e fracos (apesar de alguns ainda pensarem assim) mas que deixássemos de lado o exaltar a humildade, modéstia e culpa.

No cristianismo temos de forma bem clara uma oposição clara a esse tipo de pensamento. O que dizer de Paulo quando afirma: "Quando estou fraco aí é que sou forte"? Não seria essa uma exaltação explícita da elevação do fraco ao topo da moral? Ou ainda, o que dizer do Sermão da Montanha, onde os chorosos, pobres e fracos tem mais lugar do que aquele que é considerado forte, que não se utiliza de modéstia em momento algum?

A religião cristã vem se moldando e atualmente tem um sincretismo interessante com algumas filosofias considerados noutro tempo totalmente heréticas. O fato é que valores como a compaixão, humildade são conceitos cada vez menores em igrejas protestantes atuais. Oras, se assim existissem, as críticas da moral humana não seriam tão ferrenhas aos super-pastores que a cada dia prezam mais por uma elevação do poder e se esquecem da exaltação à fraqueza. O que é a onda de livros de auto-ajuda senão uma ode à certeza de que podemos nos superar e que para isto basta que nós mesmos queiramos?

Por outro lado, se a compaixão e humildade estritamente conceituais não fazem mais parte do vocabulário cristão o que dizer da culpa? Essa sem dúvida permanece, e isso se dá porque todo sincretismo traz incoerências. Se por um lado queremos nós mesmos chegar a um objetivo, por outro queremos que isso seja feito da maneira mais fácil possível, por isso pensar que o objetivo não alcançado na busca do poder se deu porque tivemos alguma culpa perante Deus. Se existiu tal culpa ela é unicamente por conta da própria busca insana por poder, de uma exaltação ao super-homem e pela incoerência de querer ser rotulado como cristão.



P.S.: Super-homem mesmo é o Lex Luthor

P.S.: Um dos únicos conceitos do qual mantenho discordância quase que total. É uma análise rasa para um pequeno paralelo, portanto não me batam por não ter aprofundado na questão social do conceito.

Quinta-feira, Maio 21, 2009

200

Gostaria de comemorar junto com os leitores deste blog o fato de conseguir chegar ao post/texto de número 200. Para alguns isso pode não parecer muita coisa, afinal são três anos e meio que mantenho este espaço. Mas após esse muito falar percebo o quanto aprendi com os que aqui comentaram e com os que comentam também fora desse ambiente sobre uma percepção que por vezes não passa de um devaneio. Sendo assim, gostaria de comemorar colocando aqui os selos acumulados que tão carinhosamente recebi durante os últimos meses. Talvez o post fique um tanto quanto longo, por isso peço desculpas antecipadamente.

Desejos



O Will do Celebrai! deixou esse meme que consiste basicamente em descrever oito coisas das quais você tem vontade de fazer antes de morrer. Nunca tive muitas aspirações ou ao menos, nunca as tenho durante muito tempo, fato esse que torna o rol algo difícil de se fazer e também bastante variável. Arrolarei alguns, ao invés de oito e por isso peço perdão, coisas que estão na mente no momento mas não necessariamente que serão as mesmas aspirações daqui a cinco ou dez anos. Até pensei mais do que esses desejos, mas todos estão meio que incluídos implicitamente, seriam eles: escrever alguns livros e viajar aos cinco continentes. Obviamente também tenho o desejo de ser um bom pai, um bom esposo mas esses desejos são tão distantes para mim que prefiro simplesmente deixar a vida me levar.

Seguindo a regra do meme, indico os seguintes blogs:

Vamos para o leve?

Sopa de Jiló

Relatos de uma guerra pessoal

Ironicamente perdedor


Seis coisas pessoais

Essa veio do Zek do Ironicamente Perdedor, um meme que trata basicamente de falar sobre seis coisas pessoais. Não há muito o que dizer desse meme a não ser o fato de que coisas pessoais que falamos no fim, não são tão pessoais assim.

1 - Meu gosto musical é extremamente variado. Gosto de samba a rock (mesmo thrashs e deaths), rap a choro, tecnobrega a catira. Enfim, tudo quanto é ritmo desde que tocado bem me apraz.

2 - A maioria das poesias que escrevo são produzidas dentro de ônibus ou na espera dele. Acho que é a maneira pela qual o governo conseguiu fazer com que houvesse uma reflexão interna por parte das pessoas.

3 - Era viciado em cappuccino, após algumas overdoses diárias de mais de um litro, parei. Agora sou liberto, jogo poker. Não que haja uma necessária relação entre as duas coisas.

4 - O envelhecer me assusta mais que o morrer. É algo que foge tanto do nosso escopo que nem dá pra conjecturar sobre isso. Aliás falar sobre isso é tão tabu que provavelmente alguém vai me dizer que isso traz mau agouro.

5 - Assisto séries e animes, assim como leio mais Graphic Novels do que o tempo me permite.

6 - Ainda acredito no cristianismo, apesar dos cristãos. Bem, isso não é tão pessoal mas gostaria de registrar.

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Selo de Blogueiro Honesto dado pela Sarah, que inclusive tive o prazer de conhecer pessoalmente no começo desse ano. Valeu! Espero que a honestidade esteja explícito em cada texto de todo blogueiro, afinal é o mínimo que se espera de alguém, ou ao menos, é o que eu espero rs.

Repassando o selo para mais 3 como indica o post original:

1 - Celebrai!

2 - Roberto Soares

3 - Parafernalha Eletrônica

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Esse selo vem lá do Estação 66 do Reinam, como disse no início é bom saber que tem gente gostando do que vem sendo falado por aqui. Espero que continuemos todos crescendo juntos. Indicando os dez, como manda o post original:

Luz de Luma

Alforria

Bicho de Rondônia

Contódromo

Dos dois lados do Equador

Re-novidade

Pablo Emílio

Felicidade Clandestina

Espectro de Sonhos

Garotas (in)comuns

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A Laila através do Blog do Dotgospel, assim como o Will me passaram esse selo que representa bastante para um blog que critica tanto os cristãos com uma tentativa de zelo em não afetar o cristianismo. Agradeço imensamente! E indico:

Tomei a Pílula Vermelha

Volney Faustini

Cabeça de Crente


P.S.: Mais uma vez: muito obrigado a todos que leem e comentam ou que somente leem enfim, muito obrigado por participarem ativamente do famoso processo de renovação mental diária.